
Luiz Fernando Veríssimo, um dos maiores escritores brasileiros, pra mim o melhor, escreveu sobre o homem que é homem de uma forma, como lhe é peculiar: genial. A crônica homem que é homem de Veríssimo tem uma segunda parte que ele deixou pra mim escrever. Muito obrigado VERÍSSIMO. Eis aqui a segunda parte do seu texto.
Homem que é homem não dança axé, suingueira, ou quaisquer outras danças que rebole o traseiro. Homem que é homem não rebola o traseiro nem se ameaçarem levar ele para o fogo cruzado na linha vermelha do Rio de Janeiro. Homem que é homem - a partir de agora chamado HQEH - não usa roupas multicoloridas. HQEH não usa anabolizante pra ficar bombado. Essa estória de ficar bombado é coisa de veado. HQEH tem músculos naturais obtidos por severos trabalhos manuais ou simplesmente não os tem. HQEH não vai faz academia com aquelas roupas colantes que deixa os pacovais a mostra. HQEH não chora vendo Titanic. HQEH assiste Titanic só pra ver Leonardo de Caprio se ferrar e deixar aquela belezura que é a Kate Winslet sobrando para um verdadeiro HQEH. HQEH é romântico a moda antiga. Manda flores. Namora no portão. Porque um HQEH sabe como apertar uma mulher em seus braços da forma correta. HQEH palita os dentes e depois quebra o palito. HQEH não deixa a mulher falar alto - não deixa ela nem piar - HQEH não tem medo de barata. HQEH não fica depressivozinho por que engravidou duas negrinhas de uma vez. HQEH não fica chateado com besteira, mais quando fica pode contar com os serviços da SAMU. HQEH não usa sabonete com perfume de flores. HQEH usa sabonete natural de argila, juá ou de côco. HQEH toma banho de perfume e jateia bem forte o perfume no peito. Veado passo perfume nos pulsos. HQEH diz na cara. HQEH não é falso. HQEH rouba jogando qualquer coisa. HQEH toma as dores dos mais fracos. HQEH usa cuecas sem gravuras. HQEH coça o saco. HQEH é machista. Se assim não fosse, o homem seria feminista ou veadista, como não é nenhuma das duas coisas HQEH é machista assumido. HQEH engole o comprimido sem água. HQEH usa celular no bolso da calça, nunca deixa a mostra. Celular na cintura é coisa de veado, e veado americano. HQEH não vota no PT. O PT tá cheio de homens que não homens e mulheres que não são mulheres. HQEH é preconceituoso. Sim , preconceituoso, com todas letras. HQEH tem seus preconceitos formados e alicerçados. HQEH não se convence de qualquer coisa . HQEH tem opinião própria. HQEH só torce pelo vilão, salvo se o héroi valer a pena como é o caso do Zorro. HQEH duvida da masculinidade dos super-hérois da Marwel e Cia. HQEH conhece outro HQEH. Lógo, o HQEH sabe que o Batmam é um veado de primeira grandeza. HQEH não coloca nos seus filhos nomes duvidosos, aqueles nomes que ninguém sabe, se não vir a figura, se ele é macho ou fêmea. É o caso do nome Jacqueline, por exemplo. Juracy. Minha tia é Juracy. O moço da mercearia também. HQEH tem nome definido de homem. HQEH chora com a cara fechada. HQEH não chora aos berros. HQEH morre como Saddam Husseim , cabeça erguida, frio, sem frescura. HQEH não se deixa chamar por bad boy. HQEH é mal na sua própria língua natal. HQEH tá instinto. HQEH tinha muito no nordeste. HQEH chuta o balde. HQEH não guarda raiva, explode e pronto. HQEH joga tudo que ver pela frente quando está com raiva. HQEH já traiu uma vez na vida. Mais HQEH sabe trair. HQEH deixa as duas, amada e amante perdidas de amor. HQEH é uma raridade. HQEH cumpre a palavra inda que essa palavra lhe valha a vida. HQEH não importa a geração tem que saber uma música de Nelsom Gonçalves. Hoje em dia não tem mais cantor para HQEH. Hoje em dia não tem mais filmes para HQEH. Hoje em dia não tem mais roupas para HQEH. As roupas do HQEH são costuradas sob encomenda hoje em dia. HQEH não assiste BBB. HQEH não participa do BBB. HQEH odeia reality show, salvo o Aprendiz. HQEH não usa sunguinha. HQEH não se importa se a mulher tem celulites ou estrias. Isso é desculpa de veado que não gosta de mulher. Que redundância feia! HQEH não faz drama. HQEH resolve as coisas na hora. HQEH já foi mal educado um dia. HQEH não compra um corsa sedam ou peugeut 206. São modelos visivelmente femininos e um HQEH ver isso. HQEH não ler Paulo Coelho, salvo ser for para criticá-lo ferranhamente. Por que além de escrever ruim pra cacete, tem uns papos de baitola danado. HQEH rouba o cinzeiro do motel. Faz coleção deles. HQEH corta o cabelo no barbeiro. HQEH não compra na Mariza. HQEH desde de criança gostava da Xuxa por que ela é uma tremenda de uma gostosa. HQEH enfim, sonha em pegar a Juliana Paes só pra ela saber o que é um HQEH, que até hoje ela não sabe. HQEH fala grosso. HQEH mostra quem manda. HQEH não chama o garçom com aceninhos delicados não, HQEH dá três murros na mesa e aí dele se não vier dentro dos próximos cinco segundos. HQEH toma iniciativa no flerte. HQEH não tinge os cabelos de loiro, nem de nenhuma outra cor que não seja a cor natural do seu cabelo. Ora pombas! HQEH que é verdadeiramente HQEH não pinta o cabelo de jeito nenhum! HQEH não usa brinquinhos, salvo se o HQEH que estiver lendo esse pequeno manual do homem que é homem for índio. HQEH não gosta de nada que pertença ao movimento da cultura bundista. HQEH pegaria as Sheilas e a Carla Perez, obrigaria elas se vestirem como uma mulher que é mulher decente se veste e depois sim, mostraria para elas o que um HQEH faz com mulheres como elas. Assim, elas teriam o gostinho de provar um verdadeiro HQEH. HQEH não usa palavras no diminutivo. Nunca, jamais, em hipotése alguma um HQEH tem apílidio no diminutivo. HQEH é Ricardão e não Ricardinho. Diminutivo é coisa de veadinho. HQEH acorda mal humorado. HQEH só rir com piadas que HQEH conta. HQEH é um bicho raro. Quase instinto.
Descubra seu coeficiente de HQEH após ler a segunda parte do texto , que na verdade é a primeira parte desse texto, o primeiro, que você vai ler por segundo, escrito por Luiz Fernando Veríssimo. O segundo, Que você acabou de ler por primeiro escrito por Radyr Gonçalves. Muito prazer, sou eu. Eis o link para você ler o texto do Veríssimo e medir seu coeficientede HQEH. Se não conseguir entrar a partir do link, copie e cole no seu navegador. http://www.releituras.com/lfverissimo_menu.asp